É de pequenino que se torce o pepino

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Você certamente já ouviu o ditado “é de pequenino que se torce o pepino”. Pois bem, isso vale para o bem ou para o mal, os hábitos que a criança adquire e os exemplos que ela tem serão levados para sua vida adulta, por isso é importante ser vigilante e estimular adequadamente os pequeninos.

É sabido que é muito importante estimular a criança, desde pequena, a ter contato com os livros e estórias para que ela cresça e se torne um leitor e usufrua dos tantos benefícios que a leitura proporciona.

Para isso, é necessário e recomendável que a criança tenha, desde muito cedo, o contato com os livros e faça do momento da leitura um momento de diversão.
Minha sugestão é montar uma pequena biblioteca para a criança (e que fique a seu alcance), na qual ela poderá escolher o livro que deseja “brincar” ou qual estorinha quer ouvir antes de dormir.

Existem ótimos livros infantis e, cada vez mais, amplia-se esse mercado. Alguns livros são de plástico e podem ser levados para o banho… Ideias e sugestões para estimular os pequeninos não faltam.

Minha irmã está grávida e acabamos de saber que é uma menininha. Como tia leitora voraz que sou (cujo hábito da leitura se instalou na infância) já comecei a pensar na biblioteca da pequena e já encontrei alguns títulos interessantes cuja personagem tem o mesmo nome escolhido para ela.

Minha intenção é montar uma biblioteca aqui em casa, que tem um cômodo dedicado apenas aos livros e à leitura. Mas, como é importante que minha sobrinha tenha um contato frequente com seus “livros brinquedos”, tive a ideia de tornar essa biblioteca itinerante, adquirindo uma mala colorida ou com temas infantis de rodinhas e tamanho pequeno, que poderá ser facilmente levada de uma casa para outra com alguns dos títulos escolhidos “para passear”. Fica fácil de guardar (sob a cama ou em cima do armário) e pode ir e vir sem nenhuma dificuldade.

É também fundamental ensinar a criança a cuidar de seus livros, assim como de seus brinquedos, não os deixando espalhados e tomando cuidado para que não estraguem.

Desde cedo a criança vai adquirindo a responsabilidade de zelar por suas coisas. No entanto, é claro, precisamos dosar para que essa responsabilidade não seja excessivamente rigorosa. É preciso deixar que a criança manuseie os livros, que interaja com eles (fazendo anotações ou desenhos, se for o caso), mesmo que ela não tenha muito cuidado inicialmente e que algumas páginas fiquem amassadas.

A propósito, esse é um ponto que os adultos também devem pensar. Livros são feitos para serem lidos e não enfeites na estante ou objetos de decoração da sala. Não precisamos segurá-los como se estivéssemos segurando uma joia. Eles de fato são, mas não devemos cultivar um excesso de zelo e apego neurótico por esse objeto encantador cuja função é trazer prazer e conhecimento.

Publicação original no Jornal 100% Vida em agosto de 2015 e no Scribe (25 de agosto de 2015).
Imagem de Laurinha conhecendo o livrinho feito em sua homenagem, arquivo da autora.
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O poder de uma estória bem contada

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Já cantarolava Djavan: “Um dia frio / Um bom lugar pra ler um livro”. Nada mais propício nesta estação do que um cantinho bem aconchegante e uma boa estória para ser lida.

Alguns escritores são tão notáveis que nos transportam para outra dimensão. E como é difícil voltar! Experimentamos a dúbia sensação de querer concluir logo a leitura e de desejar que ela nunca acabe.

Meu marido e eu costumamos brincar neste sentido de se transportar. Eu (que estava lendo o romance E o vento levou) digo “vou para Tara”, e ele (que está lendo a coleção Harry Potter) diz “vou para Hogwarts”; e assim partimos cada um para sua viagem com os personagens e as situações mais inusitadas sem sequer sairmos de perto um do outro.

Vez ou outra aterrissamos e pedimos ao outro a atenção para um comentário ou destaque do livro que consideramos interessante, então novamente mergulhamos nas palavras.
Margaret Mitchell, autora de E o vento levou, cuja leitura mencionei, é talentosíssima. Ela consegue prender eficientemente o leitor em seu romance ambientado em 1860-1870, com cerca de mil páginas de letras pequenas, mesmo o leitor já tendo assistido as quatro horas de filme da adaptação feita para o cinema.

Esse foi seu único romance, mas pode-se dizer sem medo de equívoco que ela ficou consagrada por ele. Sem dúvida, é o melhor exemplo de estória bem contada que posso citar de minhas recentes leituras. Possui personagens fortes, uma trama envolvente, cenários muito bem descritos e diálogos que valem grifos de destaque e um lugar na memória.

Algumas leituras, no entanto, não nos deixam confortáveis, inquietando-nos. É como se no cantinho de cada página houvesse um espinho que nos cutuca vez ou outra e nos faz ter vontade de parar a leitura por ali. E quem quer ler algo que não seja prazeroso?

É nesse momento que precisamos respirar fundo, parar e analisar friamente nossa leitura, porque os livros e personagens que mais nos pinicam são aqueles que mais precisamos abraçar e conversar. São eles que nos farão pensar sobre nossas atitudes, sobre situações que são desconfortáveis e que, por vezes, evitamos encarar. É uma verdadeira terapia!

Não são raras as ocasiões nas quais vou aos encontros do clube da leitura com um livro entalado na garganta e uma crítica ferrenha, achando que ele não valia a leitura e saio de lá com a certeza de que aquele livro me cutucou o quanto precisava e cumpriu seu papel em meu crescimento e, no final das contas, eu acabo até gostando dele.

O poder de um bom livro e de uma boa estória é algo que tem sido levado bastante a sério, pois a leitura é uma atividade que, além dos benefícios culturais e de formação, pode desempenhar uma função terapêutica.

A Biblioterapia é um exemplo desse tipo de tratamento por meio da leitura e tem diversas aplicações. Trata-se de um processo que começa com a análise de problema. A partir daí, identifica-se por qual dificuldade o leitor está passando e quais leituras poderiam ajudá-lo a enfrentá-la. Depois vem a escolha do livro. Vários fatores influenciam nessa escolha como os gostos pessoais de cada um, o grau de escolaridade, a faixa etária entre outros. Por último vem o diálogo sobre a leitura; uma conversa entre o leitor e um profissional para a interpretação o texto. Essa etapa pode ser tanto individual, como em grupo (Wikipédia).

De certa forma, os clubes de leitura acabam funcionando como um grupo terapêutico onde cada um coloca seu ponto de vista sobre e todos se engrandecem com o parecer de cada um e suas próprias reflexões acerca delas.

E quando se fala de estórias bem contadas, é impossível não citar aquelas que nos agasalham e acariciam como se fôssemos crianças manhosas precisando de atenção. Nesse sentindo, nada mais caloroso do que O pequeno príncipe, uma leitura enriquecedora e cheia de simbolismos, com um loirinho encantador, que mora em um asteroide, cuida de uma rosa e nos ensina que “o essencial é invisível aos olhos”. Toda “pessoa grande” merece alimentar sua criança interior com esta estória.

Como dizia um quadrinho compartilhado no Facebook que li nesta semana: um bom livro não termina, ele se esconde dentro de nós.

 

Referência:
Wikipédia. Biblioterapia. Disponível em: < https://pt.wikipedia.org/wiki/Biblioterapia&gt;. Acesso em 3. jul. 2015.
Publicação original no Jornal 100% Vida em julho de 2015 e no Scribe (2 de agosto de 2015).
Imagem disponível em:
<http://2.bp.blogspot.com/-VEBHC7jmL0c/VLQMGdvhmuI/AAAAAAAAAkw/SGhPgZ-Ovtw/s1600/Nr%2B43%2Bstr%2B14%2BStrefa%2Bporad%2Bbiblioterapia.jpg&gt;.
Acesso em 2 ago. 2015.

A leitura e seus benefícios

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“Ler é tão bom que nem precisaria servir para mais nada, mas serve”.

Li essa frase alguns anos atrás em um livro sobre história da leitura e não me esqueci mais dela. Por ironia, esqueci o nome do livro e, também, a autoria da frase.

Acho que foi Jorge Luis Borges quem a disse, mas como saber? A memória tem destes estratagemas, lembramos da parte que mais nos marca e interessa e o resto se perde, ou fica arquivada em alguma gaveta do cérebro até que não estejamos mais precisando da informação ou pensando sobre ela, aí pimba!, ela surge.

Refletindo sobre a frase, podemos listar uma série de benefícios que a leitura traz para o ser humano: desenvolve a imaginação e a criatividade; aumenta nosso vocabulário e fluência na escrita; faz-nos pensar sob outros pontos de vista e refletir sobre diversos assuntos, tornando-nos, assim, pessoas melhores; relaxa; aumenta a concentração; melhora a memória; e por aí vai, a lista é longa. Dá para falar o dia inteiro sobre o quanto ler é bom e faz bem…

Focando um pouco mais na questão da memória, conclui recentemente a leitura do livro Para sempre Alice, de autoria de Lisa Genova, que está em pauta neste mês no clube da leitura que coordeno e cuja adaptação para o cinema premiou com o Oscar a protagonista Julianne Moore. O livro trata do Alzheimer, esta cruel doença neurológica degenerativa que provoca o declínio das funções intelectuais e não se restringe apenas a idosos, como bem nos mostra seu enredo.

Em sua versão precoce, surgida em decorrência da hereditariedade, os sintomas da doença podem começar a surgir a partir dos 30 anos. Nesses casos, mais do que qualquer outro, é importante tomar conhecimento e iniciar o tratamento o quanto antes para diminuir os sintomas e evitar sua progressão, uma vez que já se sabe que o gene mutante está ali e a qualquer momento pode começar a se manifestar.

É aí que leitura e prevenção se encontram… Quem lê tem “menores níveis de proteína beta amiloide, vinculada com o Mal de Alzheimer”, de acordo com um estudo publicado na edição digital da revista Archives of Neurology (Fonte: Estadão/Saúde, 2012).

Assim como os músculos do corpo, o cérebro também precisa ser exercitado, senão se atrofia (metaforicamente falando). A leitura é um excelente meio para estimular o cérebro e colocá-lo para malhar. E aqui nem faz diferença se você fica bem em roupa de ginástica ou não.

 

A soma de nossos saberes

A leitura nos permite vivenciar situações de risco sem nos arriscarmos de fato, apaixonarmo-nos por muitos personagens, sofrer com alguns deles, vibrar com as conquistas de outros, trazê-los para o mundo real e até nos encontrar com eles em uma tarde de inverno para um chá quentinho.

Não, este não é um estágio evoluído da demência do Alzheimer, é apenas imaginação. E como ela voa quando o assunto é literatura!

Muito se ouve dizer sobre a experiência da leitura ser solitária, mas ela não precisa ser se não quisermos. Tiramos do livro mensagens e conhecimentos diferentes, de acordo com nossas vivências e crenças pessoais. É isto que fazemos quando reunimos em nosso clube da leitura todas as experiências em torno de uma leitura prazerosa e uma caneca de café: discussões enriquecedoras e ainda mais conhecimento do que aqueles que a leitura havia nos proporcionado.

Já dizia um dos mais influentes escritores e editores brasileiros, Monteiro Lobato: “Um país se faz com homens e livros”. Façamos nossa parte incluindo muita leitura em nossa vida!

 

Publicação original no Jornal 100% Vida em junho de 2015 e no Scribe (2 de julho de 2015).
Imagem disponível em:
<http://gravatanoticias.com.br/wp-content/uploads/2015/06/destaque11.jpg&gt;.
Acesso em 2 jul. 2015.