O lado bom da vida

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O lado bom da vida é o seu avesso, aquele lado que só você enxerga, aquele que está apenas visível a seus olhos.

O mundo pode estar desabando a seu redor, mas você consegue captar a beleza do momento presente: os detalhes da paisagem, as cores, os sons, os cheiros e os sabores que a vida oferece hoje e que amanhã não se repetirão.

É como estar constantemente de férias, descobrindo lugares, sorrindo para os imprevistos…

É estado pleno de êxtase.

É o sorriso da criança no colo da mãe que entrou na fila preferencial em sua frente logo naquele dia que os ponteiros do relógio parecem andar mais rápido.

É a inesperada lambida de seu cachorro quando você abaixou para colocar-lhe um pouco mais de água antes de sair para mais um dia de trabalho.

É o pôr-do-sol alaranjado de uma tarde de outono que você avistou enquanto o carro estava parado no trânsito congestionado.

É o ipê roxo florescendo em junho, imponente se exibindo para você.

É o cheiro de bolo saindo do forno e o gole quente de um café com leite em manhã fria.

E por que o lado bom da vida está visível apenas a seus olhos?

Simplesmente porque você se propôs a olhar para ele.

 

Publicação original no Scribe (11 de junho de 2015).
Imagem das ruas de Campinas (São Paulo), arquivo da autora.
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O resto flui…

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Abrir-se para as possibilidades.
Deixar a vida seguir seu rumo.
Não se obcecar por escolhas e caminhos.
O resto flui…

 

Publicação original no Scribe (21 de maio de 2015).
Imagem de Calheta, Ilha da Madeira (Portugal), arquivo da autora.

A natureza

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Eu não preciso de um templo religioso para me conectar a Deus.

A natureza é meu altar… diante dela eu faço minhas preces, os problemas se tornam pequenos e meu espírito “naturalmente” se acalma.

As paisagens urbanas nos estressam e aceleram porque faltam pássaros, flores, verde, montanhas, rios e mares. Precisamos buscar a natureza onde pudermos… criando um jardim em casa, realizando pequenas viagens ao campo ou à praia durante o ano (e não apenas nas férias), visitando os tantos parques que as cidades oferecem etc.

Se nos deixarmos ditar pelo ritmo da natureza entraremos no eixo e, equilibrados, levaremos uma vida melhor.

 

Publicação original no Scribe (27 de março de 2015).
Imagem de orquídeas plantadas em frente de sua casa, arquivo da autora.

Viagem

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Diz um provérbio chinês que “aquele que retorna de uma viagem não é o mesmo que aquele que partiu”.

Acabei de atravessar o Atlântico para voltar ao meu lar, e como é bom estar em casa…

Vi pessoas, países e cidades diferentes, mas ao mesmo tempo iguais. Meus olhos viram paisagens diferentes e meu coração bateu mais forte diante da beleza de algumas delas.

Ouvi línguas, vozes e sussurros dos mais diversos idiomas e, mais uma vez, comprovei que o sorriso e a mímica são universais.

Já não caibo em minhas roupas, e não é pelos quilos que ganhei durante a viagem… Como somos pequenos diante do mundo enorme que existe lá fora!

Volto feliz, volto melhor, ainda sou a mesma, mas meus olhos enxergam mais longe.

 

Publicação original no Scribe (25 de março de 2015).
Imagem da Cordilheira Cantábrica, na Espanha, arquivo da autora.

Entre paralelepípedos

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Para os olhos do mundo, era só uma rua de paralelepípedo.
Só um trajeto simples para chegar ao destino. Nada demais.
Por que então meus olhos gotejam como a chuva que bate no vidro do carro?
Porque a saudade aperta… porque aquela rua de paralelepípedo me lembra você.
Lembra-me nossa amizade e o quanto era bom ir buscá-la para um almoço ou um bate-papo em qualquer boteco.
“Boteco não!”, você diria, “Eu lá sou mulher de boteco?”.
Saudade de seu humor, de seus ditados populares, de nossas risadas juntas.
Aquela era só uma rua de paralelepípedo em dia de chuva, mas também era você, ali na esquina, sorrindo para mim, viva em minha memória.
Eu não pensava em te encontrar quando entrei naquela rua, mas foi muito bom te rever.

 

Publicação original no Scribe (18 de fevereiro de 2015).
Imagem disponível em: <https://tecparpavimentos.files.wordpress.com/2013/11/paralele.jpg&gt;. Acesso em: 17 de maio de 2016.

O aqui. O agora.

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O aqui.
O agora.
O vento batendo nas folhas das árvores.
O som de água vindo da lista de músicas para relaxar do iTunes.
O delicioso sabor do iogurte de jabuticaba gelado nas papilas gustativas.
Minha perna direita quase dormente posicionada abaixo da esquerda lembra-me da má postura e eu a corrijo.
Uma nuvem cobre o Sol e a luz oscila, escure o ambiente.
A preguiça surge.
Do outro lado da rua, uma mulher jovem, em todo seu vigor, limpa os vidros da grande janela que dá para a minha, sua disposição me causa inveja.
A preguiça se instala.
Inspiro.
Expiro.
Tudo é isto: o aqui e o agora.

 

Publicação original no Scribe (22 de janeiro de 2015).
Imagem disponível em: <http://fatosmisteriosos.com/wp-content/uploads/2016/02/Dettifoss-Islandia-640×400.jpg&gt;. Acesso em: 17 de maio de 2016.

Apenas um pão francês

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Era um pão francês, apenas um pão francês…

O que concedia a ele um sabor especial era o que o acompanhava: um sorriso, que apesar de enrugado tinha um ar juvenil, maroto.

Primeiro era o som do motor da velha Brasília sendo estacionada, depois o som da trava do portão sendo aberta, e aí vinha, do fim do corredor, o chacoalhar da sacolinha de plástico acompanhada do sorriso.

Hora do lanche da tarde, com o cheiro de café estimulando-nos a jogar conversa fora, hora do carinho de avô de sorriso maroto.

Não haverá pão francês mais delicioso.

 

Publicação original do blog “Falando mais do que a boca” (15 de janeiro de 2015).
Imagem do vô Ignácio, arquivo da autora.