Castelo de areia

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Eu quase posso sentir a areia úmida sob meu corpo, os grãos grossos enfiando-se embaixo das unhas das minhas mãos enquanto cavava mais e mais fundo o fosso do meu castelo.

A areia molhada que saia do fosso eu deixava escorrer pelos meus dedos no topo do castelo e ele ia ficando encorpado e alto.

Um par de mãos grandes me ajudavam na empreitada. Palavras carinhosas incentivam-me a seguir cavando fundo.

O dia estava quente, mas o sol parecia tímido, escondido atrás das nuvens. Minha pele clara e de criança agradecia. Sempre odiei ficar lambuzada de filtro solar e aquele era um dia que não pedia muita proteção.

No entanto, a proteção estava ali, não em forma de filtro solar, mas sim por meio do olhar atento e gentil, que só aqueles que amam conseguem dar.

As horas iam passando sem serem notadas. Então o mar foi aos poucos invadindo nosso espaço e começava a ameaçar minha fortaleza.

Eu temia pela minha construção, mas meu ajudante não parecia se abalar com a ameaça.

De repente, uma onda mais intensa veio, invadiu o fosso e desmoronou o castelo.

O sorriso maroto do avô querido surgiu e de seus lábios saíram as palavras de incentivo: vamos começar de novo?

E ali, na sugestiva Praia dos Sonhos, eu aprendi que nossos castelos podem desmoronar, mas com o apoio daqueles que amamos, sempre podemos recomeçar a construí-los.

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