O poder de uma estória bem contada

Nr 43 str 14 Strefa porad biblioterapia

Já cantarolava Djavan: “Um dia frio / Um bom lugar pra ler um livro”. Nada mais propício nesta estação do que um cantinho bem aconchegante e uma boa estória para ser lida.

Alguns escritores são tão notáveis que nos transportam para outra dimensão. E como é difícil voltar! Experimentamos a dúbia sensação de querer concluir logo a leitura e de desejar que ela nunca acabe.

Meu marido e eu costumamos brincar neste sentido de se transportar. Eu (que estava lendo o romance E o vento levou) digo “vou para Tara”, e ele (que está lendo a coleção Harry Potter) diz “vou para Hogwarts”; e assim partimos cada um para sua viagem com os personagens e as situações mais inusitadas sem sequer sairmos de perto um do outro.

Vez ou outra aterrissamos e pedimos ao outro a atenção para um comentário ou destaque do livro que consideramos interessante, então novamente mergulhamos nas palavras.
Margaret Mitchell, autora de E o vento levou, cuja leitura mencionei, é talentosíssima. Ela consegue prender eficientemente o leitor em seu romance ambientado em 1860-1870, com cerca de mil páginas de letras pequenas, mesmo o leitor já tendo assistido as quatro horas de filme da adaptação feita para o cinema.

Esse foi seu único romance, mas pode-se dizer sem medo de equívoco que ela ficou consagrada por ele. Sem dúvida, é o melhor exemplo de estória bem contada que posso citar de minhas recentes leituras. Possui personagens fortes, uma trama envolvente, cenários muito bem descritos e diálogos que valem grifos de destaque e um lugar na memória.

Algumas leituras, no entanto, não nos deixam confortáveis, inquietando-nos. É como se no cantinho de cada página houvesse um espinho que nos cutuca vez ou outra e nos faz ter vontade de parar a leitura por ali. E quem quer ler algo que não seja prazeroso?

É nesse momento que precisamos respirar fundo, parar e analisar friamente nossa leitura, porque os livros e personagens que mais nos pinicam são aqueles que mais precisamos abraçar e conversar. São eles que nos farão pensar sobre nossas atitudes, sobre situações que são desconfortáveis e que, por vezes, evitamos encarar. É uma verdadeira terapia!

Não são raras as ocasiões nas quais vou aos encontros do clube da leitura com um livro entalado na garganta e uma crítica ferrenha, achando que ele não valia a leitura e saio de lá com a certeza de que aquele livro me cutucou o quanto precisava e cumpriu seu papel em meu crescimento e, no final das contas, eu acabo até gostando dele.

O poder de um bom livro e de uma boa estória é algo que tem sido levado bastante a sério, pois a leitura é uma atividade que, além dos benefícios culturais e de formação, pode desempenhar uma função terapêutica.

A Biblioterapia é um exemplo desse tipo de tratamento por meio da leitura e tem diversas aplicações. Trata-se de um processo que começa com a análise de problema. A partir daí, identifica-se por qual dificuldade o leitor está passando e quais leituras poderiam ajudá-lo a enfrentá-la. Depois vem a escolha do livro. Vários fatores influenciam nessa escolha como os gostos pessoais de cada um, o grau de escolaridade, a faixa etária entre outros. Por último vem o diálogo sobre a leitura; uma conversa entre o leitor e um profissional para a interpretação o texto. Essa etapa pode ser tanto individual, como em grupo (Wikipédia).

De certa forma, os clubes de leitura acabam funcionando como um grupo terapêutico onde cada um coloca seu ponto de vista sobre e todos se engrandecem com o parecer de cada um e suas próprias reflexões acerca delas.

E quando se fala de estórias bem contadas, é impossível não citar aquelas que nos agasalham e acariciam como se fôssemos crianças manhosas precisando de atenção. Nesse sentindo, nada mais caloroso do que O pequeno príncipe, uma leitura enriquecedora e cheia de simbolismos, com um loirinho encantador, que mora em um asteroide, cuida de uma rosa e nos ensina que “o essencial é invisível aos olhos”. Toda “pessoa grande” merece alimentar sua criança interior com esta estória.

Como dizia um quadrinho compartilhado no Facebook que li nesta semana: um bom livro não termina, ele se esconde dentro de nós.

 

Referência:
Wikipédia. Biblioterapia. Disponível em: < https://pt.wikipedia.org/wiki/Biblioterapia&gt;. Acesso em 3. jul. 2015.
Publicação original no Jornal 100% Vida em julho de 2015 e no Scribe (2 de agosto de 2015).
Imagem disponível em:
<http://2.bp.blogspot.com/-VEBHC7jmL0c/VLQMGdvhmuI/AAAAAAAAAkw/SGhPgZ-Ovtw/s1600/Nr%2B43%2Bstr%2B14%2BStrefa%2Bporad%2Bbiblioterapia.jpg&gt;.
Acesso em 2 ago. 2015.
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